quinta-feira, abril 30, 2015

VIVA O 1º DE MAIO!...



Como se sabe a Declaração Universal do Direitos Fundamentais do Homem, foi proclamada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948. A Declaração surgiu como alerta à consciência mundial contra as atrocidades cometidas na Segunda Guerra Mundial.

Desta forma, a Declaração inscreveu-se no acto fundador da ONU e nos objectivos de Paz e boa convivência entre as diferentes nações, credos, raças, ideologias, etc. E, nesta perspectiva, a Declaração Universal dos Direitos do Homem enuncia os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais de que devem gozar todos os seres humanos, sem discriminação de raça, sexo, nacionalidade, ou de qualquer outro tipo.

A noção de direitos humanos foi, entretanto, aprofundada, no decurso da segunda metade do século XX, alargando-se o conceito, sob a inspiração dos temas da Revolução Francesa e impulso da Revolução de Outubro, a três gerações de direitos fundamentais: a primeira geração refere-se aos direitos civis e políticos, fundados no ideal de liberdade (liberté); a segunda geração, diz respeito aos direitos económicos, sociais e culturais, com base no ideal de igualdade (egalité); por fim, a terceira geração, refere-se aos direitos de solidariedade, em especial ao direito à Paz e ao desenvolvimento, ao direito a ambiente sadio, entre outros, coroando-se, desta forma, a tríade de direitos fundamentais, sob o ideal de fraternidade (fraternité).

Decorre, portanto, que estas três instâncias de direitos fundamentais têm a mesma génese e a mesma matriz libertadora e que, no seu conjunto, representam um avanço político e social inquestionável, cuja realização constitui a “pedra de toque” da democraticidade de qualquer sistema político. Contudo, apesar de todos os Estados-membros da ONU serem signatários da Declaração, muitos são os que, comprovadamente, continuam a não respeitar os seus princípios.

Em Portugal, por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos do Homem foi apenas subscrita em 9 de Março de 1978, na sequência da promulgação da Constituição da República que emerge da Revolução do 25 de Abril. Dando expressão aos ideais libertadores de Abril, a Constituição da República Portuguesa consagra os direitos fundamentais do homem em todas as suas vertentes – direitos políticos, direitos económicos e sociais e direitos culturais e ambientais – que, no plano jurídico-institucional, fazem dela um valioso instrumento de progresso político e social, apesar das restrições que foram introduzidas nas revisões constitucionais subsequentes, especialmente, nos direitos de egalité, ou de segunda geração.

Não cabe aqui o balanço dessas revisões constitucionais. Mas faz todo o sentido afirmar que a restrição aos direitos fundamentais foi acompanhada (e é consequência) da viragem à direita da sociedade portuguesa, a partir dos finais dos anos 70 do século XX.

Não faltam, presentemente, motivos de preocupação quanto a realização dos direitos fundamentais do homem, designadamente, das próprias liberdades cívicas, que no plano formal, todos dizem defender.

Mas, sobretudo, atentem no que se passa no domínio dos direitos sociais e, em especial, no direito ao trabalho. Na sociedade actual, o trabalho é o único meio de vida digna da esmagadora maioria das pessoas. Trabalhar sem a justa retribuição é, pois, uma “moderna” forma de escravidão.

E  permitir que alguém possa, sem um algum motivo forte, privar outrem de trabalhar é um verdadeiro assalto aos direitos fundamentais das pessoas.

E um atentado contra os valores de Abril!

VIVA O 1º DE MAIO!...


terça-feira, abril 28, 2015

NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LXII


Havia em Babilónia um académico. Que amava a Ciência e – dizem seus confrades – não era gago em seu mister...

Um dia os deuses levaram-no – cedo, como é capricho dos deuses levarem aqueles que amam...

Hammurabi, o legislador, a pesar “o pesar”, cobriu-se de cinzas e fez-lhe na Praça rasgado elogio. E abrindo os braços – “vejam como eu sou magnânimo!...”

Mas cavernoso deixa cair: apesar de não pertencer à minha seita!...”
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E um velho ervanário, colhendo da natureza suas mezinhas: “de ore tuo te judico”(pelo que dizes te julgo) – até os escorpiões respeitam os mortos!...”

sábado, abril 25, 2015

sexta-feira, abril 24, 2015

UM ARREPIO DA MEMÓRIA...


Na pele dos dias macilentos
Um arrepio da Memória. Afluentes a percorrer por dentro os veios
Deste magma. E a argila do sonho. E o destino de água.
E o sortilégio. E a imensidão do lago...

Há neste arfar dos homens um destino mudo.
Suspenso. Como as labaredas de um incêndio. Brusco.
Que se adianta na combustão. Pressentido apenas no voo inesperado
Dos insectos. E no delírio do restolho.

Somos a massa que fecunda o fogo. Elos de um percurso
Que os ventos traçam. E de que os deuses zombam...

E, no entanto, nesta ardência da vontade (que se expande)  
Perdura uma febre desusada. Uma surda espera.
Como se a Festa de outrora mais que festa
Fosse aurora...

Ou uma palavra nova. A despontar no léxico
E na gramática do Mundo...

Viva a Liberdade!...

Manuel Veiga




25 de Abril, Sempre!...


quinta-feira, abril 23, 2015

NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LXI


Babilónia exaurida apresta-se a novos torneios. Luzem-se brasões e armas e desfraldam-se pendões... E rebentam nos céus os primeiros foguetes...

Hammurabi, o legislador, e seu séquito insistem e persistem no golpe das “inevitabilidades”...

Sir Tony, o dos sete costados, ensaia o rodeio das “evitabilidades”pretende evitar as semelhanças, sem marcar as diferenças...

Na Praça, pitonisas e nigromantes lêem a sina – sempre a mesma!...
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E um velho romeiro, gasto de mil viagens, um tanto céptico: “Babilónicos, mudem as regras – e o jogo será outro!...”




segunda-feira, abril 20, 2015

PLANANDO CONTRA O VENTO...


Talvez este regresso seja voo de milhafre
Planando contra o vento. Ou estultícia minha
Em filtrar o tempo pelos dedos...

Talvez seja vertigem. Ou pequenas coisas.
Ou profusão de sentidos descendo como braços de salgueiro.
Ou seja talvez moinho em canto d´água.
Ou a pedra de soleira...

Talvez o momento seja a brusca passagem das horas
Já passadas. Ou murmúrio de oração em lábios já finados.
Ou mulheres de negro embiocadas: -
Penélopes sem viagem
E epopeias de silêncio...

Talvez sejam as cálidas mãos dos homens. Agora
Pousadas sobre a mesa e o pão repartido.
E a criança atónita espreitando o ritual
E o vinho nas gargantas ressequidas.
E o delírio da festa.
E as colheitas...

Talvez os corredores da memória
Sejam espaço afadigado em estertor de ave
Já sem ninho. E que no entanto teima o calor das penas...

Talvez o vento se solte em novas profecias.

E todos os rostos venham em coro
Entoar bênçãos em teu nome

António...

domingo, abril 19, 2015

Encontros, Afectos e ... "Notícias de Babilónia"...


"NOTÍCIAS DE BABILÓNIA
e Outras Metáforas"

Fundação José Saramago - LISBOA
20.04.2015



Notícias de Babilónia e outras metáforas

Venho trazer-vos, nas palavras de Manuel Veiga, alguns retalhos episódicos de uma cidade mítica, intercultural e bastante esquizofrénica, de seu nome Babilónia, capital do império decorrentemente Babilónico, onde reinou um indivíduo – Hamurábi – que teve engenho e artes de se guindar, em minoria absoluta, a um dos mais altos cargos dessa nação babilónica, e se notabilizou, entre outras coisas por legislar até à insanidade e, neste caso, contra os desígnios dessa comunidade, também ela mítica, claro…

Recentes investigações sugerem que tinha esse Hamurábi o hábito peculiar de usar uma pequena representação da Babilónia à lapela…

Enfim, o Manuel chama a estes seus episódios metáforas e nós devemos respeito e consideração ao autor. Pelas metáforas ficaremos, pois... Ainda que um olhar atento lhes vislumbre padrões diversificados a que costumamos, mais comummente, chamar «realidade».

Entre um Hanníbal, peremptoriamente vago, um Raspar iluminadamente amanuense, um Sub-Hammurábi assumidamente trampolineiro, uma pitonisa com banca na praça, Hammurábi, o legislador, estrebucha, gesticula, esperneia… e legisla.

Entretanto, Babilónia é um país onde os velhos pululam, sendo, porventura, até a espécie dominante, pelo que há quase sempre um velho, nas notas do autor, que pontua cada ocorrência com o seu saber de experiência feito, através de comentário mordaz ou proclamatório. Iremos, então, em cada texto dar ouvidos à experiência – mesmo que sempre circunstancialmente considerada, como as boas práticas recomendam e ireis aperceber.

Por mim, não vos direi mais nada, que estou só cá para dar voz ao autor, companheiro de longas e velhas andanças nesta coisa estranha da comunidade internauta, onde a premência dos afectos nos levou – a mim e ao autor e em boa hora – a encontrarmo-nos.

Eis, pois, um pouco dessa Babilónia, conforme descrita por Manuel Veiga…


- Jorge Castro
Na Fundação José Saramago, em 18 de Abril de 2015.







quinta-feira, abril 16, 2015

O CÁLIDO SABOR DA AMIZADE.



A propósito da apresentação do livro "Notícias de Babilónia e Outras Metáforas", no próximo dia 18, Sábado, pelas 15 horas, na Fundação José Saramago, Casa dos Bicos, em Lisboa, escreveu o meu amigo Eufrázio Filipe sobre o autor: 




"A Babilónia, os babilónicos, Hammurabi, recriados com o olhar atento do Manuel Veiga, conduzem os seus textos de intervenção política e social, oferecem-nos uma prosa deliciosa, poética satírica, onde revemos da sua escarpa, um país que é o nosso, à beira-mar betonado.

Democrata impoluto, sem verdades absolutas mas fortes convicções, o meu amigo tem motivos e chão para desbravar novos textos, nesta Babilónia que promete à saciedade, alternâncias conhecidas de poderes, até ser outro dia.

Com talento, palavras em carne viva e outras metáforas - Manuel Veiga construiu e revelou um painel onde a ficção subscreve a realidade.

Como não podemos mudar de babilónicos, só ajudar, fico na minha escarpa a aguardar o teu inesgotável e acutilante fio de meada.

Nós merecemos.

Abraço fraterno."
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Palavras que transportam um cálido sabor de amizade, que convosco compartilho. 

terça-feira, abril 14, 2015

Notícias de Babilónia - CONVITE



TENTANDO UM SONETO...


Sou assim hoje em festa vestido para vós
Na alegria de ler-vos, de quando em vez,
Como se viessem todas juntas de viés
As palavras em que partilhamos nossa voz...

Não cuido de jardins, mas amo as flores,
Cada uma em seu perfume diverso
Como letras batidas de qualquer verso
Que todas juntas me perdem de amores...

E do poema construído em cada sílaba
Da amizade fugaz (sei lá se para sempre)
Fique a harmonia e a emoção bem quente...

E em cada gesto de beleza murmurada
Desse “bouquet” da amizade, em suma,
Colha eu rosas e pétalas uma a uma...

Manuel Veiga

 


sábado, abril 11, 2015

NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LX


Babilónia é uma nuvem – de propaganda! Que se abate sobre a cabeça dos babilónicos – estonteados e famintos...

Hammurabi, o legislador, cavalga a onda e garante que Babilónia é coutada sua – a caminho da salvação e exemplo do Mundo...

Depois da redenção da cidade apenas lhe faltará “disciplinar o custo do factor trabalho” – para glória dos empreendedores e os não-piegas...
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E um velho jornalista, rabugento e cáustico: “Também o Botas de má memória disciplinou as finanças e depois o trabalho – e pretendeu fazer dos babilónicos carneiros!...” 

E exorta: “Babilónicos, arejai a coelheira! ...”

quinta-feira, abril 09, 2015

DO FUNDO DA MEMÓRIA...


Do fundo da memória
Os inefáveis sons
E a voz dos sinos
- Aleluia!...

E o rosmaninho a debruar as ruas
E a orgia das cores
E as flores
E os cheiros
E o povo em procissão
- Aleluia!

E as eclesiais bênçãos
Sobre as searas ondulantes
Exorcizando pragas
E o povo em coro
- Aleluia! aleluia...

E além naquela nuvem
Ceres e Pã sorrindo-(me)...

E o pão e o vinho
Assaz parcos...
- Aleluia!

E no meu olhar
O rubor da aurora
Vermelho abrupto celebrado
Tão verde ainda
Modelando o dia...

E este rodopiar do tempo agora
Dissolvendo
O sal da lágrima
E o cântico...

- Aleluia! aleluia...

 Manuel Veiga

terça-feira, abril 07, 2015

quarta-feira, abril 01, 2015

CÂNTICO DA PÁSCOA


Que quereis aqui, vós, portentosos sons,
Que do céu vindes procurar-me no pó?
Soai antes onde há corações bons.
A mensagem bem oiço, porém, falta-me a fé.
E o milagre é da fé o filho amado...”

“Àquelas esferas não ouso aspirar
Donde me vem a boa e doce nova;
Mas quando o som da infância se renova
À vida novamente quero voltar...”“Então descia em mim a bênção
Do Céu, na paz do Sábado, serena,
E a voz dos sinos, de presságios plena,
E era um prazer fogoso a oração;
Um indizível anseio me impelia
A florestas e campos percorrer,
E entre lágrimas ardentes sentia
Que em mim um mundo começava a nascer...”

O canto veio lembrar-me os jogos de infância,
Da primavera a festa livre da alegria;
O ânimo infantil sustenta-me a lembrança
Que do derradeiro passo me desvia...”

“Ressoai, ressoai doces hinos do Céu!
Lágrima, corre! – Terra, aqui estou eu!...”

Johann Wolfgang Goethe - in “Fausto”

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Peço desculpa pela falta de assiduidade em vossos blogs. Em breve a vida retomará seu ritmo habitual!

Votos de Boa Páscoa!
Beijos e Abraços