sábado, abril 30, 2011

terça-feira, abril 26, 2011

O SALTIMBANCO, O POETA E O VELHO...


Nesse dia o saltimbanco
Trepou ao cume
E plantou bandeira
Rubra
Como lume...

Quinas e feitos
Antigos
Abriram-se
E nova insígnia
Lapidada...

“É a Hora!”
Diz o Poeta...
      - “Não é nada
“É o costume!...”
Resmunga o velho
Avinagrado…

E o saltimbanco
Agora
Ouvindo
O grito ainda
Subindo
E a avenida
Em rio como flor
(De dor maior)
Solta vergado
À nostalgia:

“Arre! Merecia melhor
O meu Povo!...”

























terça-feira, abril 19, 2011



Uns dias mais de ausência. Vemo-nos no desfile comemorativo do "25 de Abril", na Avenida da Liberdade, em Lisboa

Até lá...

segunda-feira, abril 18, 2011

À MEMÓRIA DE UM RESISTENTE...


Estamos aqui no centro:
Que as margens são mera circunstância...

E tu não foste apenas desfiladeiro
Ou passagem secreta das cavalgadas da história:
No olhar da águia o abismo é alimento e a vertigem voo...

Gesto de cristal puro onde mora o brilho solar dos dias
Que os homens inscrevem talvez sem o saberem
Como meta no quotidiano de cinza...

Dizem-te derrotado no licor dos elogios
- Como se tu foras história apenas! -
Mal sabendo que a tua força não tem destino à vista...

Lá onde o coração bate e o fogo se atiça
Como forja do tempo onde a palavra se faz arma
(E a lágrima poema) aí onde ombro com ombro
O suor das sementeiras e os cânticos se misturam
Se desenha teu rosto na pedra esculpida...

E outros homens e mulheres para além de ti
Gigantes de teu exemplo darão vida à tua luta...


terça-feira, abril 12, 2011

SONHO DE SONHO


Declina este silêncio a voz da tarde
Que sobre o Tejo embala caravelas.
Guindastes frios chorando primaveras
Aventuras em farrapos pelo molhe...

Cravo e canela. Era outrora miragem
Do sangue o que hoje é azul perdido.
Não era glória: era apenas o sentido
De partir sem receio da ancoragem...

Não mais flores ou colchas na janela
Nem olhares cativos em cada espera
Nem fulvo marinheiro, celebrado...

Ó Pátria minha, agora! Mimética altivez
Tempo prisioneiro do deserto de Fez
Sonho de sonho: ora perdido, ora achado...
.....................................................................

Uns breves dias ausente de vosso convívio...
Julgo que o poeminha que vos deixo é uma reposição.
Peço desculpa por isso!

domingo, abril 10, 2011

Discurso Marco Antonio en Julio Cesar

OS DADOS ESTÃO LANÇADOS...

 
Passe o exagero, mas desde o célebre discurso de Marco António nos funerais de Júlio César, que não escutava discurso tão demagógico (na acepção clássica da palavra). Se bem compreendo o “bom povo” português (e, por vezes, tenho essa pretensão), Sócrates ganhou as eleições de 5 de Junho, com dois discursos no congresso do Partido Socialista.

Atrevo-me a mais – Sócrates forçou a parada e faz ajoelhar a direita à sua majestade de tribuno. Não há acordo possível (para uso interno), à direita que não seja a sua vontade soberana!

As instituições comunitárias (quer dizer, os interesses do capital financeiro) assim o ditam, preferindo o consagrado Sócrates à aventura de um primeiro-ministro “à experiência”, como bem soube acentuar.

A explícita recuperação por parte da União Europeia do PEC4 de Sócrates, rejeitado pela Assembleia da República, nas iminentes conversações de capitulação do País, que se aproximam, assim enfaticamente o demonstra.

Bem sabemos que a direita portuguesa não tem espinha dorsal. Verga-se em função dos seus interesses imediatos. Hoje como ontem e como sempre!... Pois se de outra forma fosse, a humilhação presente bastaria para a fazer perder quaisquer veleidades de governo a curto prazo.

E nisso joga Sócrates, com mestria. Num simulacro de “cortar pontes” com o passado e as suas responsabilidades no desastre das políticas de direita, de que foi fidelíssimo executor com a activa cumplicidade do PSD e do CDS.

Exorcizando os fantasmas de esquerda que teimosamente continuam a assombrar a Europa e o Império! Ungindo-se  com o sacral banho de seus devotos! Clamando o seu acrisolado amor pelos destinos de Roma e a salvação da Pátria…

Alea jacta est…

Quem, à direita, o cobiça que se desiluda. E quem, à esquerda, o combate, se arme do melhor da sua capacidade de inteligência e coragem. Para mal do País e dos milhões que sofrem com a crise, Sócrates ocupará, por mais uns quantos anos, o centro da vida política portuguesa.

Como sabemos, até Roma tombou. E Sócrates não tem a grandeza de Roma, helás! Porém, vulneráveis pés de barro!...    
    


quarta-feira, abril 06, 2011

90º Aniversário da SEARA NOVA


FUNDADORES, SEAREIROS
E O AMPL0 LEQUE DE COLABORADORES

Os fundadores da Seara Nova, identificando-se como "Corpo Directivo", foram Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, Azeredo Perdigão, Câmara Reys, Faria de Vasconcelos, Ferreira de Macedo, Francisco António Correia, Jaime Cortezão, Raul Brandão e Raul Proença.

Como grandes impulsionadores, em diferentes épocas, do grupo redactorial devemos destacar Raul Proença, Aquilino Ribeiro, Câmara Reys, António Sérgio, Augusto Casimiro, Rogério Fernandes ou Sottomayor Cardia.

Mas a Seara Nova deve muito a outros colaboradores, assinando páginas de grande qualidade, como Adolfo Casais Monteiro, Agostinho da Silva, Alexandre Cabral, Alves Redol, Armando Castro, Augusto Abelaira, Bento de Jesus Caraça, Blasco Hugo Fernandes, Fernando Lopes Graça, Fernando Namora, Francine Benoît, Gago Coutinho, Hernâni Cidade, Jorge Peixinho, Jorge de Sena, José Rodrigues Miguéis, José Saramago, José Gomes Ferreira, Magalhães Godinho, Magalhães Vilhena, Manuel Mendes, Mário Azevedo Gomes, Mário Sacramento, Paulo Quintela, Rui Grácio, Sarmento de Beires ou Vitorino Nemésio.

Intelectuais de grande valor. Homens de carácter. Homens cuja moral está espelhada nesta frase do Editorial do n° 1: “Em democracia quem  mente ao povo é réu de alta traição”.

A SEARA NOVA NO PORTUGAL DE ABRIL

A Revolução de Abril entrou pela Seara dentro. A começar no entusiástico e prudente editorial de Maio de 1974, redigido por José Saramago. Mas as condições da sua circulação alteraram-se. Deixou de haver espaço para ser "a revista da oposição democrática"; continua o espaço para "uma revista cultural e democrática", apostada nos valores do progresso e da Paz e arrimada no espírito seareiro.

A Seara Nova continua hoje a ser um ponto de encontro de ideias desenhadoras do futuro, de aprofundamento de valores culturais, de denúncia da mesquinhez e oportunismo políticos, de combate sem tréguas por um Portugal e um Mundo melhores.

Cerca de 200 colaboradores, professores, investigadores, jornalistas, sindicalistas, cooperativistas, artistas, juristas, economistas, profissionais vários, têm honrado a Revista com a sua valiosa e diversificada colaboração nos primeiros dez anos deste século.

No imediato pós-25 de Abril a Seara Nova manteve-se graças aos esforços do seu actual Director, Dr. Ulpiano Nascimento, embora com alguma irregularidade de publicação. Estabilizada a sua situação, através do apoio da Associação Intervenção Democrática-ID, a Revista tem assegurado o cumprimento da sua periodicidade trimestral, com uma atenção constante e selectiva às grandes questões nacionais e internacionais.

A Seara Nova hoje não é mais uma Revista de resistência. É uma Revista de ataque às injustiças, à mesquinhez e à mentira. É uma Revista que trabalha com confiança pelo futuro digno do seu Povo...

segunda-feira, abril 04, 2011

domingo, abril 03, 2011

35º ANIVERSÁRIO DA CONSTITUIÇÃO DE ABRIL


Sete vezes revista, vezes sem conta vilipendiada, mutilada, ignorada, quando não mesmo caluniada ou arremesada como razão e pretexto das dificuldades do País, a Constituição de República constitui, no seu espírito e letra, trave mestra do regime democrático, implantado com a gloriosa Revolução de Abril.

Celebremos o seu 35º Aniversário, com a coragem  de fazer dela a plataforma política de  todos aqueles que se propõem "abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno".