domingo, março 29, 2009

Frágeis que somos...




Traço que esboça o gesto
Crisálida ainda
Voo no branco
Ténue sopro nos dedos
Como forma
E se liberta indecisa
No movimento
De nada...

Indeciso também o verbo
Em seu percurso de cor
E vontade de ser
Riscos apenas
De um “Eu” que teima
E quer...

(Cuidados meus)

Frágeis que somos
Nesta aurora,

António

quarta-feira, março 25, 2009

"Crónicas de um tempo perdido" - A Merência...

Recordo-me da Merência, espigadota, de cabelos ruivos e sardas dispersas pelo rosto leitoso e bem desenhado. Um pouco misteriosa nos seus silêncios, arredia às brincadeiras mais ousadas dos rapazes que, com ela e outras rapariguinhas se juntavam no adro da Igreja, depois das aulas, como poldros selvagens, nos fins de tarde daqueles longínquos meses de Primavera. E quando algum, mais afoito, lhe levantava a ponta da saia ou, no pretexto das brincadeiras, atrevia a mão aos seios púberes e, ela soltava, numa indignada recusa:

- “Vê lá se apanhas um estalo!...”

Junto ao adro, descaindo um pouco para oeste, rematando o pequeno largo, como vértice da rua da Igreja e a rua mais estreita da Calheta, era a forja do Ti´ Alípio. De essencial direi agora apenas que o “Tio” Alípio, viúvo, criava dois filhos ainda tenros, à força de marteladas na forja e do esgravatar de uns alqueires de centeio, em terras arrendadas, nas ladeiras íngremes dos rios da minha infância.

O Manuel, o mais velho, - em estrita divisão social do trabalho (isto sou eu agora a falar...) - fora destinado às agruras do centeio inóspito e ao cultivo de uma pequena horta a uns escassos quilómetros da povoação, a qual, por razões que não antecipo, irá ser o mítico lugar do desenlace desta “estória”.

Para o filho mais novo, o Tio Alípio havia decidido que seria ferreiro e continuar assim a tradição da forja, apontando relhas e aguçando enxadas ou, quando necessário, ajustar as ferraduras de alguma besta. Pensaria o bom do “Tio” Alípio, que reservar para o seu benjamim a tradição da forja seria, certamente, a maneira certa de homenagear a mulher, falecida no momento do parto, de cuja família recebera a oficina.

Acontece, porém, que o Zé - é esta a sua graça, embora mais conhecido por Zé “Sugão”, já que em criança compensou, durante largo tempo, a carência de afectos maternais com os dedos na boca, hábito que pela adolescência se prolongou, mediante a substituição dos dedos pelo permanente sugar de figos secos – acontece, dizia, que o Zé não tinha nem físico, nem vontade para a violência da forja, a que fora acorrentado ...

Era, pois, com manifesto regozijo que, espreitando pela fresta da porta da forja, acompanhava as nossas brincadeiras no adro. Uma vez por outra, quando o pai, por qualquer outro afazer, se ausentava, era certo que Zé, a quem a vida reservara mais agreste passatempo, subia a curta distância das nossas correrias.

Quando assim acontecia, a Merência de olhar fixo no chão, sentava-se no muro do adro, ajeitava a saia, esticando o tecido até à extensão das pernas, cobrindo a penugem incipiente que as adornava e que os últimos raios do sol, descendo no horizonte, davam tonalidades delicadas.

O Zé, a uns palmos de distância, encostado ao muro, sem uma palavra, olhava-a de soslaio, mal disfarçando o pudor do êxtase num pontapé ou outro, como quem enxota visita indesejada, quando inadvertidamente a bola lhe chegava aos pés...

E assim ficavam aquelas duas alminhas, mirando-se, sabe-se lá a que alturas transportados, até que o adro da igreja ficava deserto ou, antes disso, o Ti´ Alípio, qual trombeta do juízo final, reclamava a presença do filho, bem sabendo então o Zé que o deleite do paraíso iria decair no ardor infernal de um bom par de estalos. É que Ti´ Alípio, rigoroso “padre padrone”, não admitia transgressões na ordem familiar e, muito menos que o filho, herdeiro designado de seu brioso ofício, andasse “metido” com a “galdéria” da Merência...

Importa esclarecer que o Ti´ Alípio , ainda que vagamente aparentado, não falava com a família da Merência. Uma antiga rixa sobre partilha de águas com a propriedade confinante à horta que o filho mais velho, o Manuel, zelosamente granjeava, alimentava entre eles um verdete de ódio, que nem festa ou morte, alguma vez poderia limpar. Toda a aldeia o sabia. E respeitava na profundeza (ou insensatez) da sua autenticidade...

Passaram anos. A infância esgotou-se como um suspiro de Primavera. Com o alvor dos anos sessenta a aldeia despovoou-se com emigração para França e outras araganças. Entretanto, o Ti´ Alípio falecera. O Manuel largou a junta das escanzeladas mulas e as agruras da horta e do centeio e enfileirou na emigração a salto. O Zé, porém, por lá se deixou ficar, acantonado ao fervor da sua devoção maior...

A forja morreu de estertor natural. O estiolamento, por falta de braços, da produção agrícola tornou-a supérflua. Nem o Zé com isso se importou. Respeitava o nome do pai, mas odiava o seu ofício... E a Merência lá continuava, firme, como estrela polar, marcando-lhe o rumo e a vida...

Por essa ocasião, nas minhas subidas à aldeia, em tempo de férias, ia sabendo de Zé, por quem tinha sincera amizade, caldeada (no mais lídimo sentido da palavra) nas minhas escapadelas para à oficina de Ti´ Alípio, onde, deslumbrado, acompanhava o contorcer do ferro em brasa e a metamorfose de sons na bigorna sob a força do martelo, donde saltavam fagulhas patéticas, que a meus olhos eram fadas ou estrelas caídas de um céu por mim inventado...

Sabia, por isso, que o Zé ia sobrevivendo, jeira aqui ou ali, ou como criado de lavoura por um período mais ou menos longo, de algum lavrador mais teimoso, resistente aos caminhos da emigração, para quem o cuidado das terras não lhe permitia partir, nem o fruto do trabalho lhe permitia ficar.

Tempos negros esses!...


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Continua, se for o caso...

quinta-feira, março 19, 2009

Poema que arde...

Toma o poeta o cinzel e seu ofício
E pela fissura da pedra por onde a palavra espreita
Escuta o lento germinar da água sob a fraga
Gota a gota. Como seiva...

Nada que não saiba. A demora é cadência
Do escopro. Música que não rima ainda.
Rumor apenas de água. Talvez fermento.
Selo que resguarda. E anuncia...

Ergue então o poeta o murmúrio do silêncio
No cadinho e no caule da sua espera.
E sopra o nada. E busca a presa. Que arredia
Se escapa. Fugidia...

Razão que não queira. Rumor da língua.
Centelha agora. Já não apenas água.
Contudo mineral ainda. Mas já crisálida abrindo
O som da sílaba...

Ousa o poeta depois o fogo e a sarça.
E a chama no interior da pedra.
A palavra ainda é nada. Apenas o estrelar da luz.
Fogo e água. E solidão acesa...

Nada que não seja. Porém a palavra agora
(Feita água) é rosto e é nome. E claridade...
Vereda de dor e fome de humanidade.
É quimera que se ergue no poema que arde...


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Estarei ausente uns dias. Breves...
Bom fim de semana.

Beijos e abraços

segunda-feira, março 16, 2009

Evocação da Quaresma...




A Via-sacra era uma borga. No caminho da igreja, a Maria da Purificação ia à frente a ler o breviário. Enquanto todo o acompanhamento se ajoelhava, batia no peito e beijava o chão, apanhávamos nós pelos barrancos flores de cuco e lírios silvestres.

Não sei porquê, a primavera sabia-nos melhor assim, usufruída rebeldemente nas barbas dos adultos penitentes.

- As gotas de sangue, que derramou, foram duzentas e trinta mil...
- Louvado seja tão bom Senhor...
- As lágrimas que chorou pelos nossos pecados, foram seiscentas mil e duzentas ...


Achávamos demais, e ríamo-nos à socapa...

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Miguel TORGA – in “A Criação do Mundo”
Foto – Georges Dussaud – in “Trás-os-Montes” – L´Equinoxe/ Assírio&Alvim

sábado, março 14, 2009

“Play it again, Sam...”

(... entro, não entro?!...)

Confesso o meu embaraço perante locais desconhecidos, mas fazia tempo que alguém me falara naquele espaço; eu prometera...

Cá fora, coalhados pelo barulho do trânsito, sons de música familiar: pareceu-me ouvir "velhos" clássicos de jazz...

(... e a irritante chuva miudinha despertou em mim uma sede antiga de cumplicidades inesperadas e inconsequentes prazeres.)

Empurrei o guarda-vento – “alea jacta est!...” - disse para os meus botões!

Lá dentro, a luz difusa, quebrada pela intimidade das conversas e por uma gargalhada feminina...

(...meu Deus, aquela gargalhada! há quanto tempo fora,que ainda hoje desperta vibrações tão intensas no mais íntimo de mim...)

Afastei com um gesto uma gota de chuva dos cabelos rebeldes,
- (agora em novelo de fios prateados) - como quem exorciza recordações e fui sentar-me ao balcão..,

O Bogart, irónico, fita-me dos braços da Ingrid Bergman, num cartaz desbotado do filme “Casablanca”!... Ao canto um velho piano... Não resisti. Puxei do whisky e atravessei a sala. Desafinando, soltei as primeiras notas : "you must remember this..."

Sinto o perfume e o envolvimento doce de uns braços. E carícia de uns cabelos ruivos, afagando-me o rosto : - "Com estás, Manuel! há tanto tempo!..."

(Devorei-te, num sorriso!...)

terça-feira, março 10, 2009

Diz-me de teu insulto...

Conforme os anais da vida política dos dias recentes, na Assembleia da República, dois deputados do bloco central, cada um em defesa da sua dama, que é como quem diz, cada um do outro lado da barricada da promissora (e subsidiada) indústria dos painéis solares, travaram-se de razões. Anónimos e anódinos, os deputados. Mas grandes os interesses e nada desprezíveis os subsídios. E, quando assim é, nesta coisa parlamentar, já se sabe, palavra puxa palavra, os brios até então encobertos na discrição das últimas filas do plenário, vêm ao de cima e... sai insulto mútuo.

E, então, quando a Assembleia da República extravasa o Palácio de S. Bento e a rua e o bairro que lhe estão associados para chegar aos cafés e aos noticiários, o País pasma e divide-se. Uns tantos na gargalhada. No moralismo bacoco tantos outros. Na insídia contra a democracia, a maior parte das vezes – uns malandros os deputados!...

Ao que parece, porém, foi um estardalhaço desmedido por parcas razões, pois que, no caso, é duvidoso que o desaguisado parlamentar acrescentasse algo de glorioso ao insulto português. Na realidade, conforme relatam fontes informadas, parece que o insulto não passou de uma pífia, de um assobio mudo, que apenas experts em leitura labial ou as legendas da televisão puderam revelar sua épica dimensão.

Garantem assim as fundadas fontes que, no seu estilo e brado, o desacerto parlamentar terá tido o colorido de um pátio de escola, em que adolescentes exacerbados teimam em que o seu esguicho chega mais longe que o do adversário, bem se sabendo que, em matéria de mijaretes, cada um fica com o seu...

Pois bem. Coberto de incertezas e de cinzas da Quaresma, venho, perante os meus leitores, fazer o elogio público do insulto político, cuja nobre ascendência sobe ao tempo do Senado romano e que, nos tempos modernos, tem tido eméritos cultores. Não há política sem retórica, onde a Palavra é uma arma, sem nunca perder a beleza e o seu poder encantatório.

Na história do nosso parlamentarismo existem, aliás, palavras vigorosas que fazem as delícias de quem percorre, por hábito de leitura, as “Farpas” do nosso Ramalhão Ortigão. E no circunspecto mundo anglo-saxónico, de democracias antigas e consolidadas, residem algumas das mais geniais “bengaladas parlamentares”. Winston Churchil e Clement Atllee, por exemplo, foram ferozes cultores do género, como ornamento da sua aura política.

Mas quem, nos dias de hoje, no nosso pequeno mundo político, assume o (bom) gosto da Palavra afiada e do elegante insulto? E, no entanto, talvez no caso, se justificasse o arremesso mútuo de um insulto que fez história, proferido no séc. XIX, pelo senador americano John Randolph, dirigindo-se a um adversário político: “nunca uma competência tão medíocre foi tão bem recompensada desde que o cavalo de Calígula foi nomeado Cônsul”.

E para que não se diga que sou apenas um “má língua”, que nada faz em prol da Pátria, imbuído da minha mais empenhada participação cívica, após operosa e atenta pesquisa, venho oferecer aos senhores deputados, protoganistas da cena em causa, alguns banais insultos, de que poderão lançar mão com proveito e, assim, dispensar o País (quiçá o Mundo) da excelência das suas banalidades e vulgaridades.

Ora vejam...

· Uma língua afiada não significa que tenhas o espírito interessante.
· És mesmo estúpido ou estás a fazer um grande esforço hoje?
· Cérebro não é tudo. No teu caso não é nada.
· Eu insultava-te mas acho que não irias notar.
· Não, não te chamei estúpido. Isso seria insultar os estúpidos deste mundo
· Podes parecer um idiota e falar como um idiota, mas não deixes que isso te engane - és mesmo um perfeito idiota.
· Se alguma vez te vir a afogar, prometo que te atiro uma corda, ambas as pontas e tudo.


E pronto, agora digam-me:– “ó pá, vai afogar peixes!...” E eu desando... rss

sexta-feira, março 06, 2009

Náufrago de palavras...

Abrem-se os braços à colheita - nem rosas, nem cardos.
Breve o desfilar dos dias em que me planto nas palavras.

São beijos? São afagos?

São glórias passageiras a baterem como asas
Que voando se despenham...

Quem por mim as toma? Quem as agarra?
Nada quem as queira. Apenas o sussurrar
Quente da cigarra. Apenas o vento
E o logro em que inúteis se desenham...

Neste mar de brasas em que ardo
Nesta fome de lonjuras em que me fito
São as palavras tudo-nada. Barco sem remos de meu grito...

Náufrago das palavras em que me jogo:
- Amores sem tempo nem memória. - Nas palavras me dou
E em amores me finjo.

Que amando sou. E em palavras minto...

terça-feira, março 03, 2009

A Europa em marcha-atrás ...

"A situação europeia está a suscitar uma preocupação crescente porque a crise económica global está a revelar de forma dramática as limitações e as fraquezas da União Europeia
(...)
Hoje a Europa dispõe de uma moeda comum e de um Banco Central Europeu que se revelaram uma verdadeira fortaleza na defesa da estabilidade monetária durante a crise financeira. Qualquer enfraquecimento destas duas instituições provocaria danos muito graves ao interesse comum europeu. Mas o comportamento dos governos nacionais nos últimos meses levanta grandes dúvidas sobre se realmente vêem as coisas desta forma.

Quanto mais a crise se prolonga, mais se torna óbvio que o euro e BCE não chegam para defender o mercado único e a integração europeia. Sem políticas económicas e financeiras comuns ou, pelo menos, coordenadas entre os países da zona euro, a coesão da moeda única e da própria UE - incluindo a sua própria existência - correm um perigo sem precedentes.

A crise afectou o mundo inteiro. Mas há diferenças significativas e desequilíbrios económicos dentro da UE e dentro da zona euro que se traduzem, por exemplo, por taxas de juro crescentemente divergentes. A confiança na Itália, Espanha, Irlanda, Portugal e Grécia está a desaparecer rapidamente, enquanto as economias mais fortes da Europa do Norte estão a sair-se melhor, embora também em situação muito difícil.

Se isto continuar, podendo inclusivamente levar ao fim dos critérios de Maastricht e alimentado o proteccionismo nacional através dos subsídios às indústrias, o euro será fortemente afectado. É fácil de imaginar o que o fracasso do euro significaria para a União Europeia: um desastre de proporções históricas.

Além disso, os novos Estados-membros da Europa de Leste, que não têm nem a solidez económica nem a estabilidade política dos membros mais antigos, estão a mergulhar na crise a grande velocidade. Tendo em conta a exposição de vários países da zona euro, como a Áustria, esta crise afectará também directamente o euro. Esperar para ver é, pois, a pior estratégia. Não há razões para acreditar que a crise económica mundial já bateu no fundo.

Partindo, portanto, do princípio de que continuará a agravar-se, a Europa vai confrontar-se rapidamente com uma alternativa sombria: ou as economias mais ricas e estáveis do Norte - e, em primeiro lugar, a Alemanha, que é a maior - se decidem a utilizar os seus recursos financeiros mais abundantes para ir em socorro das economias mais fracas da zona euro, ou o euro estará em risco e, com ele, todo o projecto de integração europeia.

Então, por que não introduzir rapidamente novos instrumentos, como os “eurobonds”, ou criar um mecanismo europeu comparável ao FMI? Fazê-lo teria um preço alto, sobretudo para a Alemanha e, por isso, não seria popular, mas as alternativas têm todas elas um preço muito mais alto; além de que não são sequer opções políticas sérias.

Institucionalmente, já não há volta a dar à necessidade de um “governo económico europeu” ou uma forma de “cooperação económica avançada” (ou o que lhe quiserem chamar), que poderia ser posta em prática informalmente, sem qualquer necessidade de alterar os tratados.

Infelizmente, já se tornou evidente que o motor franco-alemão, que é crucial para que a UE possa agir unida, está momentaneamente bloqueado. A retórica sugere que a França e a Alemanha têm imenso em comum, mas os factos dizem absolutamente o contrário.

Em quase todos os aspectos estratégicos da gestão europeia da crise, a Alemanha e a França estão a bloquear-se uma à outra - embora, ironicamente, estejam ambas a fazer mais ou menos a mesma coisa. Estão a pensar acima de tudo em si próprias e não na Europa, o que significa que a deixam sem liderança...

A Europa foi e é o compromisso institucionalizado e deve continuar a sê-lo agora que estamos mergulhados nesta crise económica global. Se a França e a Alemanha não conseguirem resolver rapidamente as suas diferenças e encontrar uma resposta estratégica para a crise, isso afectá-las-á fortemente e afectará a Europa, no seu conjunto
”.
(...)
JOSCHKA FISCHER – antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros Alemão – antigo líder dos “Verdes"- in "Público" de 01.03.09
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Compreende-se o dramatismo do apelo, sobretudo face ao eminente colapso da economia dos países do leste. Mas para além de salvarem bancos e empresas, as maiores potências europeias estarão também dispostas a salvar Estados inteiros, seus parceiros na União Europeia?!...

Veremos, como diz o cego!