sábado, abril 29, 2006

Em Português para melhor nos entendermos...

-“Filipe Scolari teve uma proposta, em inglês, para treinar a selecção de futebol de Inglaterra, mas o técnico brasileiro respondeu em português que NÃO!!! ... “ – anuncia, urbe et orbe, o afogueado locutor, na abertura do telejornal...

Sem dúvida, um grande “feito” lusitano! ...

Por entreposto treinador brasileiro, haveremos dar novos mundos ao mundo, a avaliar pela euforia do locutor e pelos desmesurados encómios do manda chuva do futebol nacional.

Futebol “uber alles”, está bom ver ! ... Sobretudo, quando as pensões diminuem e o desemprego aumenta...

Um dia, falaremos talvez de Fátima... Ou de Fado!... Por hoje, continuemos no futebol...

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Entre 9 de Junho e 9 de Julho próximos, a Alemanha espera receber, durante o Campeonato do Mundo de Futebol cerca de 36 milhões de espectadores, na sua maioria homens, pelo que a “indústria do sexo” - totalmente legalizada na Alemanha – não perde a sua oportunidade de fazer bons negócios. Assim, decidiu “importar”, da Europa de Leste , qualquer coisa como 40 mil mulheres para, nesse intenso mês de futebol, disputado em 12 cidades alemãs, servirem sexualmente os estimados milhões de clientes...

Como na Alemanha pulsa uma lendária capacidade de organização, os proxenetas pensaram ao pormenor nos equipamentos necessários. Assim, decidiram construir um bordel de 3000 m2, que pode acolher 650 clientes em simultâneo, a instalada ao lado do principal estádio, em Berlim. Serão também construídas, em zonas fechadas, “cabanas de sexo”, designadas por “cabines de serviços”, numa extensão nunca inferior ao tamanho de um estádio. Os mais “proletas” (ou apressados) – as classes sociais existem, a carne é fraca e o dinheiro não tem cor! - não foram esquecidos. Para esses, foram criadas zonas de estacionamento privativas e capas para cobrir as viaturas durante os “folguedos” . Como se vê, nenhuma classe social foi esquecida. Talvez apenas essas 40 mil mulheres arrebanhadas para essa maratona de escravidão sexual...

Ao que consta, a minúcia alemã terá chegado ao extremo de procurar resguardar o País dessa onda de imigração indesejada. Para isso terá diligenciado junto da UEFA para que esta instituição aprove um “visto especial” , válido apenas durante o campeonato do Mundo, garantindo-se assim que as mulheres, oriundas de países exteriores à União Europeia e que venham prostituir-se por esses gloriosos dias, não ficarão na Alemanha a procurar trabalho ou aí viver...

Enfim, coisa antiquada os direitos humanos, no coração da Europa!...

E, face aos antecedentes da Coreia, no último Campeonato Mundial, quem duvidará do empenho de nossos atletas, equipa técnica e responsáveis políticos em tão pródiga desbunda?!...

Dizem-me que o desporto e, em especial o futebol, é portador de princípios e valores civilizacionais, culturais e éticos. Claro que sim! Porém, a questão - bem o sabemos - não é do desporto, mas da sociedade em que se inscreve...

E nesse plano, estamos conversados. Não é um “treinador” quem nos pode valer...

quarta-feira, abril 26, 2006

Relógio de Pêndulo - Apresentação

“Relógio de Pêndulo” não vem acrescentar nada ao muito que por aí se escreve, com maior ou menor qualidade. Passará discreto. É essa a sua vocação! Não entrará seguramente nas discussões idealistas sobre a importância dos blogs na democratização do nosso espaço público. Aliás, não tenho ilusões quanto aos blogs como instrumento de intervenção social. Queira-se ou não, a vida é lá fora e a política faz-se na praça pública. Tenho como adquirido que, no mundo da blogsfera, todos são “primos e primas” numa pequena aldeia global, alimentando pequenos clãs de afectos ou de meras simpatias, nas quais cada um se (re)conhece e (auto)reproduz como grupo, numa relação lassa e, certamente, gratificante, mas geralmente destinada a extinguir-se na espuma efémera dos dias...

Ao que venho, portanto? Direi que venho jogar-me numa folha em branco. Escrever é falar de nós. Mesmo quando nos ocultamos nas palavras que aos outros oferecemos. No jogo de máscaras - que as palavras, tantas vezes, são! - o rosto acaba sempre por se desvendar na sua verdade transparente. Dito de outra maneira, a palavra é sempre ideológica: diz-me como falas, ou do que falas, dir-te-ei quem és!..

E gostaria também de poder seduzir. Pela palavra, está bom de ver. Desejaria que os meus textos fossem apreciados por quem, eventualmente, os possa ler. É que a palavra, falando de nós, dá sabor à vida. Oferece-nos aos outros na dimensão dionisíaca do prazer. Diria até que a retórica da palavra (e a arte em geral) contribui para a erotização da vida. Diria... se a palavra erotismo não estivesse tão poluída!...

Mas sejamos claros: falarei da “margem esquerda” da vida. Falarei de banalidades. Do riso e das lágrimas. Dos homens e mulheres concretos. Das emoções envergonhadas. E das gargalhadas expontâneas. Quem me dera ter talento para falar das qualidades (e defeitos) do Povo do meu País. E ser cronista das suas lutas...

Não tenho heróis. Mas confesso que os anti-heróis têm lugar cativo ante o écran em que me projecto. E as ideias heréticas e vencidas, que antes de tempo irrompem como húmus de futuro, são aquelas que povoam o meu ideário ...

Porque, apesar de tudo, a Terra move-se...