quinta-feira, novembro 23, 2017

" OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA "


“Os que estão preocupados com a saúde do Planeta, nossa casa comum, e que lutam contra as diversas formas de poluição, por que não lutam contra a obsolescência programada?” -  K. Marx, in Das Kapital.

"Não raras vezes as empresas fazem acordos - cartel- e, com os profissionais de marketing, introduzem deliberadamente a obsolescência na sua estratégia de venda do produto, com o objectivo de gerar um volume de vendas duradouro reduzindo o tempo entre compras sucessivas. Um exemplo poderia ser o de uma máquina de lavar roupa, que é deliberadamente projectada para deixar de funcionar cinco anos após a compra, obrigando os consumidores a comprar outra máquina para os próximos cinco anos. O mesmo se passa com as lâmpadas, material informático.

...É preciso vender, obter lucro!

Não se trata de satisfazer as necessidades das pessoas, mas de obrigá-las a comprar, a poluir o planeta!"

terça-feira, novembro 21, 2017

Ne ls Steios de l Sangre ( Nos esteios do Sangue )


Teresa Almeida Subtil, talentosa Poetisa, estudiosa e incansável divulgadora da Língua e Cultura Mirandesas quis surpreender-me com a tradução de um poema de "Caligrafia Íntima".

Agradeço muito à minha amiga Teresa esta distinção, que muito honra a minha poesia e o amável gesto de amizade, que guardo com afecto. 



Ne ls steios de l sangre i nas falas de la tierra
Q'an nós móran.
Nas fondas augas
I ne l altar de las peinhas
stremuntiadas
Ne l çponer de l sol
I ne ls maçanales i
Ne ls beneiros
D’auga.

I ne ls oulores de la tierra arada
I nas marcas de la bara tiempo
I ne ls nuossos rius.

I na sequidede de ls beiços
I na sede de mil anhos
A apressiar ls passos.

I ne ls lhuitos. I ne l siléncio de las campanas.
I ne l strondo de las fiestas
I ne ls arraiales festibos
I nas antigas
Danças.

I ne l corpete de las rapazas
I ne ls lhenços bordados
I nas risadas
I nas lhuitas.
I ne ls dies ardidos
I naqueilhes outros pregoneiros

Te nomeio, Tierra, Lhéngua, Mátria
I te benero
I te guardo
I te digo

Géstio an que me rindo
I m’ antrego
I çfaço
Miu mirar
Altibo.




Nos esteios do sangue
E  nas telúricas vozes
Que em nós habitam
Nas profundas águas 
E no altar das rochas 
Tresmalhadas
No zénite do Sol
E nos pomares e
Nos veios líquidos

E nos cheiros de terra lavrada
E nas marcas da vara do tempo
E nos nossos rios.

E nos lábios ressequidos
E na sede de mil anos
A acicatar os passos-

E nos lutos. E no silêncio dos sinos.
E no estrondo das festas
E nos arraias festivos
E nas antigas danças.

E no corpete das raparigas
E nos lenços bordados.
E nas gargalhadas
E nas brigas.
E nos dias ardidos
E naqueles outros pregoeiros.

Te nomeio Terra, Língua, Mátria
E te venero
E guardo
E te digo

Gesto em que rendo
E me entrego
E deslasso
Meu olhar
Altivo.

Manuel Veiga
“Caligrafia Íntima"  - pág. 194
POÉTICA Edições