sábado, outubro 21, 2017

Cinzel de Fogo...


Gota a gota o calcário
A desprender-se da água. Murmúrio
Sobre pedra lisa. Estátuas frias
A correr por dentro.

Desenho de improváveis dedos
Num arpejo. Crisálida e ponto-fuga
A organizar o Acaso

Asas de pedra. E cinzel de fogo.
E o sopro indizível. Nome sem nome
No devir das ocultas formas.

Cântico mudo das coisas
E o gesto demiúrgico.

E a magia Palavra
A iluminar
O Mundo.

Manuel Veiga


quinta-feira, outubro 19, 2017

Nos Esteios do Sangue


Nos esteios do sangue e nas telúricas vozes
Que em nós habitam.
Nas profundas águas
E no altar das rochas
Tresmalhadas
No zénite do sol
E nos pomares e
Nos veios
Líquidos.

E nos cheiros da terra lavrada
E nas marcas da vara tempo
E nos nossos rios.

E nos lábios ressequidos
E na sede de mil anos
A acicatar os passos.

E nos lutos. E no silêncio dos sinos.
E no estrondo das festas
E nos arraiais festivos
E nas antigas
Danças.

E no corpete das raparigas
E nos lenços bordados
E nas gargalhadas
E nas brigas.
E nos dias ardidos
E naqueles outros pregoeiros

Te nomeio, Terra, Língua, Mátria
E te venero
E te guardo
E te digo

Gesto em que me rendo
E me entrego
E deslasso
Meu olhar
Altivo.

Manuel Veiga

"Caligrafia Íntima"
POÉTICA Edições - Maio 2017

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Porque sim!
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