domingo, fevereiro 18, 2018

DOIS MODERNOS POETAS BRASILEIROS



Dois Poetas da moderna Literatura brasileira (ou deveria dizer baiana?), com um caloroso abraço ao meu Amigo, Poeta e Escritor José Carlos Sant´Ana, blog Nas Dobras do Dia. que me proporcionou o acesso a estes autores.


1 - TE AMO E PRONTO.

Te amo e amo e pronto
Amo sempre, todo o dia
Mas se não te amasse tanto
Inventaria
Te daria orquídeas do capão
Da cachoeira da fumaça
Um copo de água fria
Escreveria versos mesmo sem poesia
Para lhe fazer pirraça
E te dizer: te amo todo santo dia”

Gileno Félix

“O Trem, a Cidade e o Cordel” – pág 194
QUARTETO Editora
Salvador-Baía 2016


2 – Para Bárbara

“Esculpirei meus sonhos em teu rosto
E no teu corpo
Eu brincarei de novo a minha infância

Serei de novo, em ti, outro menino
E em teus olhos
Eu buscarei de novo a minha infância.

Esculpirei teu rosto no meu rosto
E no teu corpo
Eu traçarei de novo o meu destino”.

Roveral Pereyr

“100 POEMAS” – pág, 37
QUARTETO Editora
Salvador – Baía 2013


sábado, fevereiro 17, 2018

GENTE FINA É OUTRA COISA


Os projectos que o CDS levou a debate parlamentar a pretexto da “protecção” dos idosos revelam parte, do muito que ainda estará por mostrar, de quem mede o seu padrão de iniciativa e intervenção política por esse esse pequeno mundo de ilusão e opulência onde coabita.

Conceber que os problemas reais, e em muitas circunstâncias dramáticos das condições de vida dos idosos, se resolveria por via da criminalização das famílias e, pasme-se, dessa prerrogativa infalível que se lhes facultaria com o deserdar de filhos e descendentes, só podia mesmo passar por aquelas mentes. Nada que deva surpreender. Tão só o produto natural de convivialidade em ambientes de fidalguia e abastança.


Dito de outro modo, coisas de gente fina.
(…)
Ouvir Cristas a papaguear com ressonante sucesso mediático que a “esquerda” abandona os idosos” ou “não protege a população mais frágil e vulnerável”, entediada com a derrota do seu exercício de hipocrisia parlamentar, é digno destes dias de folia. Não se invocará aqui a falta de vergonha que recomendaria a não saída à rua, a menos que sob a cobertura de uma das muitas e fantasiosas máscaras condizentes com a tradição do entrudo. A questão não está no plano moral
(…)
O que se deve invocar é este refinado cinismo político de quem tendo estado no governo anterior, titulando aliás o ministério respectivo, vir com ar condoído falar das condições de vida dos idosos depois de, durante quatro anos, não terem feito outra coisa do que lhes ter infernizado a vida.
(…)

Ver FOICEBOOK

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

ITINERÁRIOS DE LUZ...


Murmúrio de fogo e água em minúscula
Suspensão. Arrepio talvez do tempo.
Ou talvez brusca queda em direcção
Ao indizível.

Reflexos apenas pressentidos
Presos na língua e na decantação dos nomes
Antes dos rostos. Matriz ainda.

Itinerários de luz e magma à superfície
Forma-murmúrio antes do signo
E a decifração da Palavra.

O poema virá depois na fermentação
Dos detritos e no bailado das sombras
A possuir o Excesso e burilar o Tempo

E a abrir-se na caligrafia muda das coisas
Umas nas outras. E no mistério delas.

Manuel Veiga